Portugal está a recuperar menos de 10% dos gases de refrigeração em equipamentos

<strong>Portugal está a recuperar menos de 10% dos gases de refrigeração em equipamentos</strong>

Portugal está a recuperar menos de 10% dos gases de refrigeração em equipamentos

De acordo a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, Portugal está a falhar na recolha e tratamento dos gases nocivos nos equipamentos de frio, tais como frigoríficos, arcas congeladoras, ares condicionados e outros.

De acordo com os dados analisados pela ZERO, em 2016 apenas foram recolhidas e tratadas 28,3 toneladas de gases de refrigeração de 308 toneladas destes gases que estão nos resíduos de equipamentos de frio, o que corresponde a uma recuperação de apenas 9,1% destes gases destruidores da camada de ozono e/ou causadores de impactes para as alterações climáticas.

As razões destes fracos resultados prendem-se, em primeiro lugar, com a baixa taxa de recolha dos equipamentos de frio que em 2016 se situou em apenas 23,8% da média destes equipamentos colocados no mercado entre 2013 e 2015, tendo sido recolhidas e tratadas 7461 toneladas das 31354 colocadas em média no mercado entre 2013 e 2015. Isto é, verdadeiramente não se sabe onde param 76% destes resíduos, o que é inconcebível face ao impacte na atmosfera que estes resíduos podem causar.

Para além desta baixa taxa de recolha, verifica-se que 45% dos equipamentos chegam às unidades de reciclagem já sem o compressor e muitos deles com o sistema de circulação do gás danificado o que permite a fuga do gás antes do equipamento ser sujeito a tratamento.

Falta meta para recolha de resíduos de equipamentos de frio

Em relação à baixa taxa de recolha, há a referir que embora a meta comunitária de recolha de Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos (REEE) para 2016 seja de 45% e esteja a ser cumprida, a realidade é que no caso dos equipamentos de frio, os quais possuem componentes perigosos para o ambiente e a saúde, não existe um valor de recolha e tratamento a cumprir e Portugal apenas recolheu 23,8% dos mesmos. Tal significa que as entidades gestoras dos REEE (Amb3E e ERP) e o Ministério do Ambiente não estão a dar a devida atenção à recolha deste tipo de resíduos.

O Elevado grau de danificação com que os equipamentos chegam às unidades de reciclagem, deve-se a uma quase total falta de controlo por parte das autarquias quando recolhem por exemplo frigoríficos, havendo a forte possibilidade de existir um esquema generalizado de roubo dos compressores para venda no mercado paralelo face ao seu elevado conteúdo em cobre.

Para fazer face a estes problemas, a ZERO propõe que:

– Sejam alteradas de imediato as licenças das entidades gestoras de REEE (Amb3E e ERP) e lhes seja imposta uma taxa de recolha específica para os equipamentos de frio não inferior à taxa obrigatória para a generalidade dos REEE.

– As entidades gestoras de REEE passem a remunerar de forma muito superior os equipamentos de frio que são recolhidos ainda como sistemas de refrigeração em condições, de forma a desincentivas os desvios “internos” de componentes como os compressores.

– A IGAMAOT, em conjunto com outras entidades, nomeadamente o SEPNA, desenvolva um programa de fiscalização junto dos agentes que fazem a gestão deste tipo de resíduos (autarquias, sistemas de gestão de resíduos urbanos e empresas de tratamento de resíduos metálicos) de forma a se perceber para onde é que estão a ir os cerca de 76% de equipamentos de frio desaparecidos, assim como os compressores.

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